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EDIçãO MONUMENTAL REúNE DUAS OBRAS CLáSSICAS DE PAULO EMíLIO SALES GOMES SOBRE JEAN VIGO ACOMPANHADAS DE DOIS DVDS COM TODOS OS FILMES DO CINEASTA FRANCêS

Caixa Paulo Emílio - Lançamento Outubro 2009

Edição monumental reúne duas obras clássicas de Paulo Emílio Sales Gomes sobre Jean Vigo acompanhadas de dois DVDs com todos os filmes do cineasta francês

CAIXA PAULO EMÍLIO
Coedição Cosac Naify e Edições
SESC SP

VIGO, VULGO ALMEREYDA
Capa dura
15,5 x 22 cm
272 páginas
28 ilustrações
JEAN VIGO
Capa dura
15,5 x 22 cm
504 páginas
99 ilustrações

DVDS JEAN VIGO INTEGRAL
Coedição Versátil Home Video
2 DVS com a filmografia completa de
Jean Vigo e extras
R$ 150,00
ISBN 978-85-7503-749-2

"Passou por minhas mãos o manuscrito do mais belo livro de cinema que já li. Trata-se de um livro monumental sobre Jean Vigo, sua vida, sua obra." François Truffaut, Cahiers du Cinéma, 1954.

A Cosac Naify e as Edições SESC SP lançam em outubro a Caixa Paulo Emílio, composta pelos livros Vigo, vulgo Amereyda e Jean Vigo, de Paulo Emilio Sales Gomes, um dos mais importantes intelectuais e críticos de cinema do Brasil. A caixa inclui ainda dois DVDs da obra integral do cineasta francês e extras: entrevistas com Antonio Candido, Carlos Augusto Calil, Lygia Fagundes Telles, Ismail Xavier e François Truffaut, além do documentário de Jacques Rozier, Cineastas do nosso tempo (1982), sobre Jean Vigo.

Com uma curta produção artística, Jean Vigo [1905-1934], cineasta de vanguarda francês, teve uma vida marcada pela liberdade de espírito e comprometimento social, deixando um legado fundamental à geração que conviveu com ele, no começo da década de 1930, e às posteriores, que redescobriram sua obra a partir do final da Segunda Guerra Mundial.

Os ensaios de Paulo Emílio são considerados fundamentais para o reconhecimento da genialidade de Vigo e da estreita relação entre sua obra e vida, influenciadas pela presença do pai, o anarquista Miguel Almereyda [1883-1917], personalidade notável do século XX. Jean Vigo, publicado originalmente em francês, em 1957, ganha agora nova edição, sob a coordenação de Augusto Massi e Carlos Augusto Calil, enriquecida com imagens dos filmes e do cineasta, além de posfácio, texto especial de Manoel de Oliveira, bibliografia, filmografia, índice onomástico e uma importante fortuna crítica assinada, entre outros, por François Truffaut, André Bazin, Paul Ryan e Ismail Xavier. Vigo, vulgo Almereyda, por sua vez, combina biografia com a história da Paris convulsionada por agitações políticas do começo do século passado.

O projeto exigiu um cuidadoso e longo trabalho de equipe da Cosac Naify, que durou quase dois anos. Essa preparação contou com a colaboração da Cinemateca Brasileira, a pesquisa iconográfica de Luce Vigo, filha do cineasta, e do pesquisador residente na França Mateus Araújo Silva, o que possibilitou enriquecer os volumes com dados históricos e imagens de Almereyda, Jean Vigo e do próprio Paulo Emílio, bem como dos fotogramas da produção cinematográfica de Vigo.

VIGO, VULGO ALMEREYDA

A vida de Miguel Almereyda, pai do cineasta Jean Vigo, mistura-se ao período convulsionado em que viveu no ensaio do crítico brasileiro.

"O que torna o livro tão envolvente é a maneira como entrelaça a história de um homem à de uma época." Claude Lefort.

Combinação da história de vida de três personalidades notáveis do século XX: o anarquista Miguel Almereyda, o cineasta de vanguarda Jean Vigo e o mais importante crítico de cinema do Brasil, Paulo Emílio Sales Gomes. É este quem relata a trajetória de Eugène Bonaventure de Vigo, vulgo Miguel Almereyda, relacionando sua biografia com a história da Paris convulsionada por agitações políticas do começo do outro século.

Instigado pela obra de Jean Vigo, filho de Almereyda, Paulo Emílio destrincha a vida do pai para analisar posteriormente com ainda mais autoridade a obra do filho. Para o pesquisador Adilson Inácio Mendes, que assina o posfácio da edição, 'rastrear a trajetória de Almereyda, a partir do contexto histórico, ajuda a entendê-lo como homem e militante político e contribui ainda para a compreensão do inconformismo de seu filho'.

O texto, que havia se tornado mera introdução ao estudo sobre Jean Vigo à época de sua publicação na França, em 1957, atualmente vem restabelecido e organizado pelo crítico e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, Carlos Augusto Calil, atual secretário municipal de cultura de São Paulo.

Trata-se de uma edição primorosa, com notas de apoio sobre os fatos e personagens históricos do movimento anarquista na França, de autoria do prof. Edgar Carone, e atualizadas pelo citado pesquisador; fortuna crítica assinada pelo próprio organizador, além de Claude Lefort, Luiz Felipe de Alencastro e Zulmira Ribeiro Tavares.

'A questão crucial para Paulo Emílio é entender por que a esquerda não se aproveitara da situação frágil do governo radical para chegar ao poder', ressalta Carlos Augusto Calil em seu texto.

A vida política de Almereyda, marcada pelo anarquismo e posteriormente pelo socialismo, é dividida por Paulo Emílio em três capítulos, que recontam a história do biografado durante os períodos em que participou de três diferentes publicações: o anarquista Le Libertaire, o 'jornal de todas as correntes' La Guerre Social e o satírico Le Bonnet Rouge. Dos episódios vividos por Almereyda, brota o segundo enredo do livro, as movimentações da esquerda no período.

A França vivia a tentativa de consolidação da III República em meio a uma intensa movimentação social, expansão imperialista, enorme instabilidade parlamentar e reestruturação do movimento operário. O grupo L'Action Française repaginou o discurso monarquista e dominou a cena política da extrema direita, ao mesmo tempo em que inúmeros grupos de esquerda se organizaram em manifestações e sindicatos.

Paulo Emílio não perde de vista a complexidade do personagem que biografa: narra da ascendência de pequena nobreza de província à sua morte, depois do itinerário que envolveu diversas passagens pela prisão, participação em manifestações, defesa de causas em artigos inflamados na imprensa, experiências de agrupamento revolucionário e, no final da vida, relações próximas a membros do governo que havia combatido e o conforto de uma vida com amantes, carros e posses. Tido na época de sua morte, em 1917 - ano em que estoura a Revolução Russa -, como um traidor, foi o estudo de Paulo Emílio que o reabilitou na memória histórica.

Entre outros esclarecimentos, o crítico defende que sua morte não foi um suicídio na prisão, mas sim um assassinato realizado pelas pessoas com quem Almereyda já havia entrado em conflito.

Esta obra de Paulo Emílio, de importância capital para historiadores, estudiosos de cinema e interessados em política, joga luz na vida de um dos personagens mais controversos da esquerda francesa, além de apresentar os traços que ecoariam nos filmes de Jean Vigo.

JEAN VIGO

Em Jean Vigo, Paulo Emílio Sales Gomes une rigor informativo e análise profunda em uma prosa literária sobre o cineasta francês.

Quatro mil metros de película, utilizadas em quatro filmes, é o que Jean Vigo (1905-1934), cineasta de vanguarda francês, deixou de sua breve vida. A liberdade de espírito e o comprometimento social que marcam sua curta produção são, estes sim, o legado que Vigo passou à geração que conviveu com ele, no começo da década de 1930, e às posteriores, que redescobriram sua obra a partir do final da Segunda Guerra. Nesse movimento de recuperação de Vigo, o livro do crítico brasileiro Paulo Emílio Sales Gomes, que a Cosac Naify e o SESC SP publicam agora, foi fundamental para a redescoberta da genialidade do cineasta francês e da estreita relação entre sua obra e vida. Desde sua publicação na França, em 1957, a edição é considerada essencial para o entendimento de Vigo e constitui bibliografia básica para o estudo de cinema.

Na abertura do livro, Paulo Emílio conta em resumo a história de Miguel Almereyda, pai de Vigo, que adotou o codinome quando deu início à sua trajetória de anarquista. O capítulo é uma síntese do outro livro do crítico, que mostra em detalhes a vida de Almereyda e foi resumido para a primeira edição francesa de Jean Vigo. Esse capítulo inicial é de fundamental importância pela repercussão que a vida do pai terá sobre a do cineasta, desde sua infância. Jean sempre buscou a reabilitação da figura paterna, de quem se orgulhava, e que Paulo Emílio mostra na sua abordagem crítica.

Os elogios que o crítico recebeu dos principais conhecedores de cinema destacam o rigor das informações, a clareza do texto e a profunda análise que Paulo Emilio apresentou no texto. Desde o início, o autor trabalha com passagens significativas da vida de seu personagem, que iluminarão, até a conclusão, aspectos de sua obra. Narra a infância confusa, as viagens para visitar a mãe, as diversas internações de Vigo em sanatórios, inclusive aquela em que conheceu Lydu, com quem se casou.

Paulo Emílio conta o processo de criação de cada filme: sua ideia original, a construção do roteiro, as filmagens, a montagem, a repercussão deles no momento de sua estreia e chega até mesmo a estudar suas carreiras nos anos posteriores, indicando não apenas maestria na análise interna de cada um deles, como também a preocupação de recuperar o artista seguindo a trajetória de sua recepção.

A respeito de Zero em comportamento (1933), por exemplo, escreve: 'Revendo o filme como um todo, constatamos que existem dois universos em Zéro de conduite: de um lado, o dos meninos e o do povo, e de outro, o dos adultos, dos burgueses. (...) Esta divisão em dois mundos e a conclusão do filme nos fornecem todos os elementos da ideologia de Vigo e das intenções sociais de Zéro de conduite. A escola de Zéro de conduite, para além da escola real surgida das recordações de infância de Vigo, é a sociedade tal como Vigo adulto a enxerga. A divisão entre crianças e adultos dentro da escola corresponde à divisão da sociedade em classes: uma minoria forte que impõe sua vontade a uma maioria fraca'.

Publicado pela Seuil, em 1957, na França, Jean Vigo ganha esta nova e enriquecida edição brasileira, traduzida por Dorothée de Bruchard, e que contém, além do posfácio do pesquisador, Adilson Inácio Mendes, as cartas de Paulo Emílio, datadas dos anos 50 (quando estava escrevendo as suas obras), um texto inédito e especial do cineasta Manoel de Oliveira (maio de 2008), filmografia completa de Jean Vigo, que contempla inclusive os projetos não realizados, e uma bibliografia exaustiva sobre o cineasta e o crítico Paulo Emílio. A fortuna crítica reúne renomados autores, entre outros, François Truffaut, André Bazin, Paul Ryan e Ismail Xavier. É este último que, em texto para a edição de 1984 do livro, diz: 'É indispensável conhecer o poeta. Melhor guia, seria pedir demais'.

DVDS 'JEAN VIGO INTEGRAL'

Coedição: Cosac Naify, Edições SESC SP e Versátil Home Video
Disco 1: Filmes: A propósito de Nice (À propos de Nice/ França/ 1930);
Taris ou a natação (La natation par Jean Taris, champion de France/ França/ 1930);
Zero em comportamento (Zéro de conduite/ França/ 1933).

Extras: 'Jean Vigo e Paulo Emílio Sales Gomes', com depoimentos de: Antonio Candido (crítico literário), Lygia Fagundes Telles (escritora), Carlos Augusto Calil (prof. de cinema - USP), Ismail Xavier (prof. de cinema - USP). 'Biografias': Perfil biográfico, bibliografia e opiniões sobre Paulo Emílio Sales Gomes. Perfil biográfico e filmografia de Jean Vigo. Galeria de imagens: slide show com fotos de cena e de bastidores dos filmes A propósito de Nice e Zero em comportamento, pertencentes à coleção do
Museu Gaumont.

Disco 2: Filmes: Atalante (L’Atalante/ França/ 1934); 'Cineastas de nosso tempo: Jean Vigo' [Cinéastes de notre tempes, 1964], o diretor JacquesRozier entrevista vários amigos e colaboradores de Jean Vigo,reconstruindo a vida e a obra do cineasta francês. Extras: 'Rohmer entrevista Truffaut'. O cineasta Eric Rohmer entrevista o também cineasta François Truffaut acerca de Atalante, de Jean Vigo (17:30 min). Galeria de imagens: slide show com pôsteres, fotos de cena e de bastidores do filme Atalante, pertencentes à coleção do Museu Gaumont.

SOBRE O AUTOR

Paulo Emílio Sales Gomes nasceu em São Paulo em 1916. Entrou para a vida literária ao organizar a revista Movimento (1935) com o apoio de Oswald de Andrade. Depois de preso em 1936 e de uma fuga através de um túnel cavado com os companheiros de cela, parte para a França, onde começa o seu interesse por cinema e pelo socialismo democrático. Na volta para o Brasil, após dois anos, cursa a Faculdade de Filosofia da USP e escreve seus primeiros ensaios, hoje antológicos, na revista Clima, da qual era animador junto com Antonio Candido, Décio de Almeida Prado, Gilda de Mello e Souza e Lourival Gomes Machado. Em 1946, a partir da concessão de uma bolsa do governo francês, passa quase dez anos na Europa estudando cinema em várias instituições. Lá, as Éditions du Seuil publicam sua monografia clássica sobre Jean Vigo, reconhecida imediatamente como o melhor livro sobre cinema de 1957, através do Prix Armand Tallier. Foi um dos principais organizadores da Filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, que se transformou posteriormente em Cinemateca Brasileira (1956), da qual foi o primeiro conservador-chefe.

Inicia então uma militância incansável pela preservação da memória cinematográfica, através da atuação institucional em vários níveis e de artigos na imprensa. A partir dos anos 1960, sua defesa do cinema brasileiro - ao adensá-lo com um mínimo de tradição formativa através da pesquisa histórica - tornou-o amigo da geração do cinema novo, que o considerava como mentor intelectual, à semelhança do que se passara na França com o crítico André Bazin e a nouvelle vague. Em 1964, foi fundador do curso de cinema na recém-criada Universidade de Brasília e,com a repressão a ela imposta pelo Golpe Militar, retorna a São Paulo,onde desde 1968 foi mestre de várias gerações na Escola de Comunicações e Artes da USP. Faleceu vitimado por um ataque cardíaco fulminante, em 1977, poucos meses depois de publicar Três mulheres de
três PPPês.

COLEÇÃO PAULO EMÍLIO

Reedição completa da obra do maior crítico de cinema brasileiro que nos últimos anos de sua vida enveredou também pelos caminhos da ficção literária. Após rigorosos estudos para o reestabelecimento dos textos
originais, os volumes ganham apêndices com ensaios de apoio para a compreensão dos contextos abordados e notas de localização histórica e cultural.
Coordenação editorial: Carlos Augusto Calil e Augusto Massi.
Títulos lançados:

- Três mulheres de três PPPês
- Cemitério
- Capitu, em parceria com Lygia Fagundes Telles


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Veículo: Informe Lítera
Publicado em: 28/09/2009 - 11:31


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